2. A Técnica: A luz e a formação da imagem na TV


2.7 - Tipologias da fonte de luz

2.7.1 - Conceituação: luz dura e luz suave

A iluminação pode ser gerada por várias fontes de energia luminosa. A mais poderosa e conhecida é a luz gerada pelo sol. No entanto nem só da luz do sol vivem as produções. Por esta razão foram desenvolvidas fontes de luz artificiais para que o produtor possa delas se utilizar conforme os resultados que pretende em uma cena.

Independente se naturais ou artificiais há dois tipos básicos de fontes de luz: a luz chamada dura e a luz chamada suave.

Luz dura é aquela que produz sombras bem definidas, com a transição entre a sombra e a parte iluminada bem demarcada. A luz dura é bem definida e tem seus feixes luminosos em uma mesma direção, por isso é chamada de luz direcional.

Luz suave é a que produz sombras desfocadas, indefinidas, com a transição entre o claro e escuro pouco demarcada. A luz suave é difusa e não direcional pois os feixes luminosos propagam-se em diferentes direções.

Dentro dos dois tipos básicos, duras e suaves, existem as gradações de mais ou menos dura e mais ou menos suave. Os diversos refletores tem características próprias cada um dentro de uma faixa de atuação.

O sol, por ter seus feixes luminosos praticamente alinhados na mesma direção, gera sombras duras, portanto está enquadrado dentro da fonte de luz do tipo dura. No entanto a mesma luz do sol que é rebatida em uma parede branca tem os feixes luminosos espalhados para várias direções tornando-se, à partir da parede, uma fonte de luz suave.

Portanto devemos considerar que a luz deve ser caracterizada nem sempre pela fonte mas sim pela luz que toca a cena de interesse. A fonte de luz pode ser do tipo dura, mas se os feixes que iluminam uma cena parte da fonte dura e depois rebatem em uma superfície para só então iluminar a cena, então devemos considerar que estamos utilizando uma luz suave.


2.7.2 - Tipos de refletores de luz dura

Existem disponíveis no mercado um grande número de modelos de refletores de distintos fabricantes. A seguir estaremos denominando os refletores não pelos seus fabricantes ou modelos mas sim pelo tipo de luz ao qual estão enquadrados pela ordem da mais dura para a mais suave.

Follow-spot (ou canhão)

O follow-spot possui um sistema óptico complexo e sofisticado. A lâmpada acondicionada próximo à uma superfície refletiva côncava tem como ponto de partida uma luz com feixes já dirigidos. Estes feixes luminosos passam por um diafragma para controle da intensidade luminosa e foco e também por um sistema de lentes que converge ainda mais os feixes luminosos proporcionando um feixe de luz extremamente concentrado, direcional e de longo alcance. O efeito de sua luz provoca um impacto forte gerando a sensação dinâmica de alta dramaticidade. Sua indicação é para utilização em shows onde, como o nome diz, permite seguir o movimento do personagem em destaque.

Refletor elipsoidal

Os feixes luminosos continuam concentrados. Por não ter os mesmos sistemas de lentes do follow-spot tem a transição entre o claro e escuro menos demarcado. Mas ainda tem atuação de longo alcance e provoca forte impacto pelo efeito luminoso que gera.

Spot Fresnel

O spot fresnel ainda pertence à família dos refletores tipo luz dura. É o último a possuir um sistema óptico complexo e sofisticado. Sua luz é dura porém menos concentrada. Possui um mecanismo de foco que permite aproximar ou distanciar a lâmpada em relação à lente fresnel o que resulta em concentrar mais ou menos o feixe luminoso. A passagem da área iluminada para a área não iluminada é suave e uniforme. A facilidade de uso e sua versatilidade fizeram com que este tipo de refletor seja o mais utilizado em estúdios de televisão.


2.7.3 - Tipos de refletores de luz suave

Os refletores da família do tipo suave não possuem lentes e o sistema óptico é mais simples. A seguir estão relacionados na ordem do mais duro para o mais suave.

Fill-light

Os refletores fill-light assemelham-se ao spot fresnel. Possuem um sistema óptico simples de pouca atuação e não tem lentes por isso torna-se um refletor leve e prático para uso fora do estúdio. Com o mecanismo de foco aberto aproxima-se à característica luminosa do "panelão". O feixe luminoso é direcional mas não concentrado. Gera sombras com transição entre o claro e escuro bastante suaves. É muito utilizado para preenchimento de sombras geradas por spots.

Scoopy (panelão)

O scoopy, conhecido no meio televisivo como "panelão", é mais suave que o spot sem lentes. O feixe de luz é bastante aberto e o controle de foco tem pouca atuação. Por estas razões permite aproveitar ao máximo o fluxo luminoso da lâmpada. Por não possuir mecanismos complexos nem lentes é um equipamento leve e de fácil manuseio. É o último refletor da série suave que ainda possui controle de foco. A sombra gerada pelo scoopy é indefinida, pouco precisa e a transição entre o claro e escuro é pouco percebida. Estas características somadas fazem do "panelão" excelente equipamento para iluminar grandes áreas que não exijam delimitações precisas.

Mini-light (ou refletor de ciclorama)

O mini-light é pequeno, leve, de fácil manipulação, não possui mecanismos ópticos nem lentes. Geralmente é retangular. Sua luz é pouco concentrada gerando sombras suaves. A transição entre a área iluminada e a não iluminada é contínua e bastante suave. Permite uma área de cobertura menor que a do "panelão" mas por ser retangular possui um elemento refletivo atrás da lâmpada que permite espalhar os feixes luminosos de maneira controlada no formato mais luz para um lado e menos para outro. Suas características fazem do mini-light excelente equipamento para iluminação de cicloramas.

Soft-light

O soft-light espalha a luz ainda mais que o "panelão". As sombras geradas por este refletor praticamente não são percebidas. Como o feixe luminoso é indireto, pouco concentrado e não direcional o soft-light tem pouco alcance e pequena área de cobertura. Por esta razão é excelente para preencher com sua luz as sombras duras geradas por refletores spot.

Rebatedor

Mais suave que o soft-light, o rebatedor, como o nome diz, serve para rebater a luz gerada por outras fontes duras. A luz dura ao tocar o rebatedor tem seu feixe luminoso desconcentrado espalhando-se para todas as direções. É como a luz do sol que bate em uma parede branca iluminando os objetos no interior de nossa sala. O rebatedor espalha a luz em uma abertura de cento e oitenta graus, fazendo que nenhuma sombra seja percebida por isso produz uma iluminação geral e de curto alcance. Por suas características é ótimo para preenchimento de cenas.


2.7.4 - Refletor intermediário

Existe um tipo de refletor que não se enquadra nem na família das fontes duras nem das suaves. É o "mini-brut". Este refletor é formado por várias lâmpadas que geram luz do tipo dura. Como são várias lâmpadas posicionadas lado a lado, o resultado dos feixes luminosos é de pouca concentração porém de longo alcance. A sombra gerada é do tipo suave porém gerada por fonte do tipo dura. Por estas características é excelente equipamento para atingir grandes áreas com longa profundidade. Eventos onde haja concentração de muitas pessoas são facilmente iluminados com poucos refletores mini-brut.

A atuação de cada tipo de refletor começa quando termina o campo de atuação do anterior.

A iluminação composta por estes tipos de refletores de forma organizada e artística permitem uma composição que pode simular o ambiente real, fortalecendo o conteúdo junto ao telespectador.


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Introdução

Dedicatória

Agradecimentos

A influência das artes plásticas

Os elementos da composição artística

A luz nos movimentos artísticos

A Fotografia

O Cinema

A luz na TV hoje

A contribuição do olho humano

A formação da imagem na televisão

A imagem colorida na televisão

A temperatura de cor

Os filtros de correção

O processo de balanceamento de cor

Tipologias da fonte de luz

A comunicação na TV

Em estúdios de telejornalismo

Iluminação de três pontos

Iluminação para dois ou mais apresentadores

Nas cenas de telenovela

O roteiro: o produto

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