Introdução
O percurso histórico que vai da utilização das coisas pela mão até a fabricação e manipulação dos objetos pelos signos descreve um processo complexo e coerente com aquele que vai da natureza ao artifício. Neste processo de superposição de tecnologias sobre tecnologias, vemos que há mais deslocamentos do que substituições.
"O progresso realiza-se através de uma série de mutações históricas que englobam os esquemas antigos sem os anularem."
Este pensamento de Pierre FRANCASTEL coincide com o de John CAGE, quando diz:
"não é necessário renunciar ao passado ao entrar no porvir. Ao mudar as coisas, não é necessário perdê-las."
Respeitando estas posições descrevo esta dissertação, nomeada "A iluminação em programas de TV: arte e técnica em harmonia", que se inicia com a evolução histórica da luz na composição da imagem - desde a influência nas artes plásticas - pintura, passando pela fotografia, o cinema e por fim na televisão nosso objetivo primeiro.
Numa visão retrospectiva, podemos afirmar que dois problemas básicos foram solucionados, para que a imagem na televisão se tornasse a realidade que hoje é. O primeiro de natureza estético, estudado de forma evolutiva e o segundo técnico, verificando desde a formação do sistema de percepção humano até a análise dos elementos disponíveis para a sua produção, que juntos foram considerados básicos para a ambientação do real, a ser desenvolvido no terceiro capítulo deste trabalho.
Entretenimento, informação, fantasia, ilusão.
O cinema conseguiu levar o ser humano à uma outra dimensão: o espaço do não real. Mas que muitas vezes nos transporta de nossa realidade para experiências que poderiam, de alguma forma, encaixar-se em nossa vida. Leva-nos ao sonho, ao imaginário. Proporciona em nossas emoções a realização, mesmo que em estado de espirito, das fantasias que gostaríamos de um dia poder vivenciar. Colocamo-nos muitas vezes no lugar do personagem daquela narrativa, imaginando se não poderíamos, ao invés de nos transportarmos para aquele momento, trazer aquela situação para nossas vidas.
A televisão, seguindo os passos do cinema, consegue com maior dinamismo penetrar em nossas vidas os sonhos que, talvez na realidade, nunca poderíamos atingir.
Esta ligação intrínseca entre a ficção e o real tem início nos processos criativos dos autores passando pela transformação dos textos em sons, imagens e, finalmente, em emoções.
Este projeto tem como objeto de estudo a iluminação na produção de televisão, resgatando nos diversos movimentos artísticos os elementos principais da composição de imagem como elementos pertencentes ao repertório dos telespectadores e sistematizar um formato didático para subsidiar aos estudantes dos cursos de Comunicação - Televisão, os dados técnicos e artísticos necessários para aplicação destes conhecimentos na produção televisiva.
Não tenho como objetivo criar regras para iluminar e criar ilusões pois não existe o certo e o errado em iluminação: uma luz correta para uma cena de suspense torna-se inadequada para uma cena romântica. O contrário também é verdadeiro. Portanto faz-se fundamental os produtores roteirizarem as produções de forma a criarem o ambiente conforme a realidade de cada conteúdo.
Assim esta dissertação propõe demonstrar algumas realidades televisivas com suas relações com os princípios dos elementos da composição artística e com isso oferecer subsídios para melhor percepção visual na produção.
No decorrer deste trabalho apresento os elementos básicos da composição da imagem desde os movimentos artísticos - pintura, suas influências na fotografia e no cinema e como esta percepção influencio a TV. Como o objeto da dissertação é a iluminação para TV, os elementos foram buscados na fonte original: a pintura, sendo a fotografia e cinema meramente ilustrativos.
Para o desenvolvimento desta dissertação foram utilizados os seguintes métodos: o histórico, o comparativo, o experimental e o monográfico e as técnicas utilizadas foram a coleta bibliográfica e documental, observação e entrevistas.
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